Lembro-me do que aconteceu ontem como se fosse hoje, nesta cidade entre o rio e o mar. Uma figura esguia, suportando um chapéu, aproximou-se e interrogou-me se conhecia as ruas e vielas do espaço que pisava. Respondi que outrora era como se eu as proprio as tivesse imaginado com papel e pincel, mas que hoje me sentia padrasto. Ele sorriu.
Informou-me que de todos os caminhantes eu tinha as melhores qualificações, embora não o sentisse, e pediu-me que lhe indicasse o melhor caminho a tomar em direcção ao seu rumo. Protestei, pois o rumo de um homem é o seu próprio e não me cabia a mim decidir o de outrém. Ele sorriu.
Estendeu-me um pequeno papel, dizendo que o seu rumo estava traçado, apenas se encontrava perdido e que confiava na minha humanidade para o ajudar. Concordei.
Abri um papel de mil dobras e reparei que era virginal e, curioso, inquiri se era neste papel que o seu destino se encontrava. Disse que sim.
Compreendi então que esta figura esguia, suportando um chapéu, ia a Lugar Nenhum. Ele olhou-me com inquietude, perguntando-me se podia ajudar. Disse-lhe que não.